Minha iniciação pelo mundo musical de Elomar começou em meados dos anos 80 quando eu tinha apenas 11 ou 12 anos. Meus tios costumavam ouvir suas músicas e eu como gostava muito de música não pude deixar de notar e gostar. Muitos anos se passaram e a lembrança das músicas está em minha mente como se fosse hoje e ainda ouço com a mesma alegria que ouvia naqueles tempos.Elomar Figueira Mello nasceu em Vitória da Conquista, a 21 de dezembro de 1937 (mesmo ano do Whisky Glenfiddich, o melhor e mais antigo). A formação protestante foi herdada da família. Entre o sertão e a capital baiana, estudou e, mais tarde, formou-se em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, no final da década de 60. Teve uma passagem rápida também pela Escola de Música dessa Universidade.
Depois que gravou seu primeiro disco "...Das Barrancas do Rio Gavião", passou a investir mais na sua carreira musical, mas foi só no final dos anos 70 e início dos 80 que deu menos ênfase à arquitetura para dedicar-se à peregrinação pelos teatros do país, de palco em palco, tocando e interpretando o seu cancioneiro e trechos do que viriam a ser suas composições de formato erudito, como autos.
Casado com Adalmária de Carvalho Mello, pai de Rosa Duprado, João Ernesto e João Omar, e avô de Gabriela Mello e João Pedro, Elomar prefere viver o mais longe possível da urbis, ora na sua fazenda às margens do Rio Gavião, ora na Gameleira, na fazenda Casa dos Carneiros, ambas imortalizadas em suas canções. Atualmente o artista está finalizando "Sertanílias", seu primeiro romance de cavalaria, para publicação e lançamento em 12 capitais brasileiras. Mas antes mesmo de lançar Sertanílias, Elomar já tem escritos do seu segundo romance "Sertano visita a cidade".
Elomar tem dedicado-se mais intensamente à escrita de partituras de seu Cancioneiro, ao todo, 64 canções , e à recuperação e digitalização de óperas, gravadas em fitas K7, entre 1975 a 1995, na Sala de Sopros e Cordas, na Casa dos Carneiros. Um trabalho árduo de recuperação de arquivos de áudio, um acervo de 70 fitas, cerca de 100 horas de gravação, que Elomar faz questão de acompanhar, não só para manter a integridade das peças, mas, principalmente, pela emoção de reviver momentos únicos, inesquecíveis, durante 20 anos de sua carreira.
Nessa nova fase, o cantor tem desenvolvido seu trabalho de uma forma diferente daquela pela qual foi projetado para o "grande público" através da mídia, depois da repercussão do trabalho "Cantoria". Apesar do veio menestrelesco, Elomar assinala que o seu trabalho não parou nas canções e que a sua meta é levar ópera para o povo. É através do dialeto sertanez e da figura do catingueiro que ele canta as vicissitudes humanas, que são universais. Diante disso, é que na agenda de 2007, Elomar vai percorrer 10 cidades do Sertão da Bahia, com o II Galope Estradeiro, onde ele se apresenta, em praça pública, com Camerata, cantor lírico convidado, com regência de João Omar de Carvalho Mello.
Entre montar os projetos da Fundação Casa dos Carneiros, desenvolver ações de recuperação e registro da sua obra, galopes estradeiros (sinfonias compactas) e óperas, Elomar não abre mão de dedicar boa parte de seu tempo à execução de suas antífonas - cantos de louvor à Deus.
Não deixem de visitar o projeto www.casadoscarneiros.com.br
Comentários
Torço para que logo promovam algumshow por lá...
Lúcia Malheiros - guanambi/BA